sábado, 3 de dezembro de 2016

A enxada




Autor Thiago Dias Trindade

Quando estudamos a mensagem do espírito Ferdinando, intitulada “Missão do Homem inteligente na Terra”, no capítulo 7 do Evangelho Segundo o Espiritismo, percebemos que a sábia entidade faz alusão direta a Conhecimento e Responsabilidade.

Conhecimento, entendamos, ser as informações que podem ser bem ou mal utilizados e que Sabedoria não é nada além do bom uso do conhecimento. E usando bem ou mal o conhecimento arcaremos com suas conseqüências. Devemos entender, em verdade, que plantamos e colhemos constantemente neste mundo de provas e expiações.

Seguindo o raciocínio do espírito Ferdinando, na mensagem supracitada, a enxada é o instrumento fundamental para o trabalho do ajudante do jardineiro, que sob a orientação deste último, realiza uma série de tarefas. Tomemos, pois, a enxada por Evangelho, o ajudante somos nós, e o jardineiro, sendo o excelso Mestre Jesus.

O Evangelho, ou Enxada, é o instrumento que nos faz crescer, quando manejado, ou utilizado, com seriedade. Tal instrumento pode ser posto de lado, jogado mesmo, se assim quisermos. E quantas vezes jogamos a enxada para algum canto, permitindo que as ervas daninhas do ego (inveja, ganância, rancor, cobiça, luxúria, etc) cresçam fortes e que acabam por danificar o belo jardim de nossa existência?

O Jardineiro, Jesus, mais comumente chamado de Carpinteiro, que conhece cada um de nós, se encarrega de pegar a enxada caída ao largo de nosso caminho e a põe ao alcance de nossa mão e sussurra, confiante, em nossos ouvidos espirituais: “Perdoe!, Ame!, Trabalhe a si mesmo para crescer!”

Usar a enxada do Evangelho em benefíficio próprio é um trabalho duro e de muita responsabilidade. Cria músculos morais. A pele espiritual fica engrossada pela perseverança em atravessar e vencer as intempéries evolutivas que impomos a nós mesmos. O suor que vertemos é pura fé, a certeza da vitória.

Mas é claro que nos cansamos! No entanto, ao invés de jogarmos a enxada ao chão, podemos nos apoiar nela e respirar. Podemos nos apoiar no Evangelho do Cristo e respirar o méximo possível o perfume da resignação e então voltar a “carpir” novamente o solo existencial que possuímos.

Trabalhando firme, um dia, chegaremos a Jardineiro, conforme Jesus assegura, e iremos a ajudar os outros aspirantes a se tornarem protetores da obra Divina de Deus.



segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Como ajudar na Transição Planetária



Autor Thiago D. Trindade



Há algum tempo, temos ouvido, falado e estudado a respeito da Transição Planetária. Sabemos que o velho mundo de provas e expiações está se modificando para um mundo de regeneração.
No entanto, não vemos, infelizmente, essa modificação planetária de forma prática. Também não vemos em nós mesmos as características morais que devem ser modificadas. Alguém poderia dizer: “como assim?!” “ O que a Transição Planetária tem a ver com as nossas características morais?!”
Ora, Jesus disse que o Reino de Deus está dentro de nós. Isso significa que o Reino consiste em desenvolver todo o nosso potencial no Bem, pois temos uma semente divina, conforme fala o orador espírita José Carlos Leal no livro Evangelho e Qualidade de Vida, e essa sementinha precisa florescer e frutificar.
Lembrando rapidamente da Parábola do Semeador, deveríamos nos perguntar que tipo de terra somos para a semente divina que está ali depositada, dentro de nosso coração? Somos uma terra estéril, pedregosa? Somos uma terra espinhenta que mata a mudinha mal saída da semente? Ou somos a terra fértil que sustenta a muda, que se torna uma frondosa árvore?
Ouvimos, com freqüência, pessoas dizerem que estão salvas porque aceitaram Jesus. Muitos espíritas dizem que seus problemas deveriam acabar pelo fato de se vincularem a uma agremiação espírita, bem como adeptos de outras crenças o fazem. Mas acontece que tais pessoas não operaram mudanças significativas em suas vidas. Algumas deixam de fumar, de beber, mas não conquistam melhorias espirituais. Não deixaram de ser impacientes, preconceituosos, rancorosos, etc...
A semente de luz está lá. A enxada do Evangelho está lá e Jesus, o Lavrador Supremo, está lá. Mas a terra é ruim porque nós assim queremos. Jesus não pode evoluir por nós. Somos responsáveis pelos nossos atos. E os nossos atos se refletem no mundo.
Outra pessoa pode dizer: “ Eu ligo a televisão e só se vê violência”. Não é bem assim, pois tem coisa boa, é só procurar que acha. Mais um outro confrade assevera: “não gosto de ler, como é difícil ler!” Bem, existem bons áudio livros, além de grupos de estudos que são verdadeiras pérolas de luz.  E só para constar: “coisa boa é o que realmente contribui para a nossa formação”, assim assevera o amigo espiritual Joaquim. A questão é que se agente se disponibiliza a aprender, a informação surge!

Mas outra pessoa pode aparecer e disparar:” a pressão da sociedade é muito poderosa. Acabamos vencidos!” Paulo de Tarso diz, com seu vigoroso entusiasmo: “viver no mundo, sem ser do mundo”. O que o venerável mestre tarsense queria dizer é que devemos, sim, participar ativamente da sociedade, afinal é nela que amealhamos condições de evolução moral. E à medida que nos dedicamos à sociedade, que ela não nos infecte com suas imperfeições!
Devemos enfrentar os desafios do cotidiano, visualizando nossa realidade espiritual, ou seja, vencendo nossas más tendências com a ferramenta do Amor. Devemos, para ajudar na Transição Planetária, trabalhar incessantemente no Bem.
Não é fácil! Mas se buscarmos o exemplo de Zaqueu, cujas casas de auxílio eram continuamente destruídas, sem nunca culpar seus algozes, que sabiam menos do que ele, aprenderemos paciência e persistência.
Se buscarmos o exemplo de Paulo de Tarso, que ates de lhe cortarem sua cabeça, abençoara seus carrascos, viveremos melhor, pois o bom ânimo estará sempre dentro de nós.
Se buscarmos o exemplo de Teresa de Calcutá e vermos nos miseráveis do mundo, em nossos parentes ou colegas de trabalho, o próprio Cristo, viveremos melhor pois nos permitiremos melhor compreender a nós mesmos através de nossos semelhantes.
Se buscarmos o exemplo de Chico Xavier, que se dizia um cisco e trabalhava, e trabalha, incansavelmente, sem reclamar e fazer tudo o que podia com bom humor, viveremos melhor pois desenvolveremos a resignação em nós.
Se nós abraçarmos o Evangelho, viveremos melhor porque haverá Luz dentro de nós e ela irá irradiar à nossa volta.
E, dessa forma, além de verdadeiramente resolvermos os nossos problemas, ainda ajudaremos o Cristo na Transição Planetária.




sábado, 5 de novembro de 2016

Muletas



Autor Thiago D. Trindade


É comum vermos nas casas Espíritas e de Umbanda pessoas que estão sempre aflitas. Se apegam aos guias e neles descarregam suas lamentações.

Pensemos: geralmente são freqüentadores de longa data, e, não raro, assistem a trabalhos em outras casas com os mesmos apelos. Participam das palestras edificantes, ouvem a sabedoria dos guias, ou seja, tem largo acesso a orientação para o crescimento moral.

Mas essas pessoas não estão nunca satisfeitas, continuam suas lamentações dizendo que seus problemas são imensos, sem sequer refletir sobre os ensinamentos que tem à disposição. Não querem, na verdade, entender que a solução para seus problemas está dentro de si, ou seja, a tal “Reforma Íntima”. Querem apenas, verdade seja dita, serem ouvidos e vistos. Isso mesmo.

Não é objetivo de uma casa Kardecista ou de Umbanda que a pessoa, ao resolver suas aflições se afaste. O que essas Religiões almejam é que a pessoa, ao vencer suas más tendências e provas, continuem o aprendizado, e mais, ajudem aqueles que estão mais atrás com o Bálsamo do Esclarecimento.

Já tivemos a oportunidade de conhecer uma pessoa que freqüentava quatro casas religiosas, duas de Umbanda e duas Kardecistas. Dedicava quase todo o seu tempo, na semana, a ir a esses Hospitais-Escola do Bem e contava os segundos para voltar quando estava em seu próprio lar. Vivia para a assistência das referidas casas. E vimos um determinado guia dizer a ela (sempre às voltas com dificuldades banais como cardápio familiar, visitar a sogra ou ir à praia e demonstrava grande ciúme em relação ao marido que até cobrava a ela maior permanência em casa) que já tinha movimentado os trabalhadores espirituais de quatro casas e que na verdade cabia a ela decidir sua vida e arcar com as consequências com Fé Raciocinada no coração. Segundo o bondoso guia, conhecido pela amabilidade e capacidade elucidativa em suas argumentações, que os bons espíritos estão sempre dispostos a ajudar, mas com moderação. Caso o contrário a pessoa não cresceria espiritualmente, já que não teria a chance de por à prova o aprendizado adquirido na Casa de Religião, exercendo a Paciência, a Perseverança, a Fé e o Perdão. A senhora, sentindo-se ofendida, levantou-se e procurou outra consulta, julgando que arrumara um inimigo espiritual, a quem passou a dedicar especial atenção e de uma forma muito negativa.

É difícil semear a luz do Esclarecimento nos corações ainda endurecidos. Criar condições para um irmão caminhar livre de muletas. É muito comum ouvirmos alguém nos pedir para orarmos por ele, já que suas preces não são “boas”, o que é uma idéia muito difundida por aí e é uma verdadeira besteira, uma vez que não existe prece ruim se ela for feita com sinceridade no coração.

Nenhuma Religião, verdadeiramente pautada no Crescimento Moral do Homem, limita seu adepto. Devemos entender que a função dos guias – de qualquer guia, encarnado ou desencarnado, aliás – é criar condições para a Libertação da Humanidade, ou seja, seu progresso para junto do Pai Maior.

Que nós possamos procurar os nossos amados guias não só para pedir e lamentar, mas também para agradecer e ouvir as sublimes lições que possuem e anseiam por dividir conosco. E todos juntos irão contemplar o céu e sentir a Luz do Alto em nossos corações.
Sem muletas!

sábado, 29 de outubro de 2016

Magoa


Autor Thiago D. Trindade


autor Thiago D. Trindade




Pelo dicionário Aurélio, mágoa significa desgosto, amargura, descontentamento, desagrado. Magoar, por sua vez, entende-se por ferir, melindrar, ofender.

A mágoa, ou desgosto está presente no cotidiano humano. Diariamente magoamos ou somos magoados. E geralmente por pequenas coisas. Costumamos ferir para que nosso ego brilhe.

Mas o dedicado aprendiz do Evangelho do Cristo entende que a mágoa dificulta o crescimento espiritual. Como assim? Como ficar magoado, ou desgostoso, pode atrasar nossa vida?

Simples. A pessoa magoada direciona uma certa quantidade de energia mental ao ofensor, prejudicando-o, e assim aumentado-se o débito kármico. Para fixar melhor de como nós devemos proceder quanto a não nos tornarmos pessoas continuamente magoadas, ou infelizes, ficamos com três frases de Jesus:

“Perdoar setenta vezes sete vezes”
“ Pai, perdoa-os, pois não sabem o que fazem.”
“Ficarão aqui até que paguem o último centavo.”

Podemos resumir essas três imortais frases do Cristo em uma palavra só:
PERDOAR
A mágoa gera quase todos os casos obsessivos. Começa mais ou menos assim: uma pessoa ofende a outra, por determinado motivo e o ofendido sufoca-se em mágoa. E assim alternam as reencarnações, com a tristeza afogando a ambos. Somente o perda sincero pode dar um basta nesse ciclo de sofrimento.

E é bom lembra que a pessoa imersa em mágoa intoxica tanto seu corpo espiritual, que acaba por exteriorizar no corpo material.  Saibamos que todos os nosso males estão em nossa mente enferma. Algumas pessoas chegam a desencarnar por conta do ressentimento, e vão parar nas zonas umbralinas como suicidas, devido a destruição do próprio corpo.

A saudosa médium Yvonne Pereira, na excelente obra “Dramas da Obsessão”, de autoria espiritual de Bezerra de Menezes, vemos um caso que se iniciou na tenebrosa era da Inquisição. Nessa trama, vemos uma família de judeus, povo perseguido duramente por séculos, ser massacrada da pior forma por alguns líderes religiosos que cobiçavam o patrimônio material e a jovem filha do chefe do clã.
Séculos depois, os Espíritos dos antigos judeus, deformados pela mágoa, obsediavam os inquisidores reencarnados, que já sofriam penosamente pelos seus atos do passado, sem a necessidade do ataque do Espírito Aboab, convertido em perigosíssimo obsessor. Com a orientação dos Espíritos Bezerra de Menezes e Ester (a jovem moça que não se entregara ao desespero e por conta disso, conseguiu evoluir espiritualmente), Aboab e seus filhos libertaram a si mesmos da mágoa opressora, permitindo qu os antigos inquisidores prosseguissem o resgate de seus pesados débitos. Ressaltamos que o perdão foi fundamental no processo e que a linha norteadora do trabalho foi o Evangelho do Cristo. Nesse livro, e é bom que se diga, foi editado pela Federação Espírita Brasileira, encontramos o nobre Espírito de Santo Antônio de Pádua, que coordena uma grande falange de Espíritos de Crianças, que se manifestam com as cores rosa e azul, com flores nas mãos e muita delicadeza. Tal falange tem por missa acalentar os corações doloridos. Qualquer comparação com os Espíritos que se manifestam como Crianças na religião Umbanda não é mera coincidência.

Temos de aceitar que não existem vítimas de um lado e algozes do outro. Existem irmão que precisam de carinho. Precisam de perdão. Nós temos a responsabilidade de dar o primeir passo, já que nos propomos a seguir o Cristo. Devemos quebrar as correntes que nos prendem as dores  sermos livres em nossa consciência. E, para quebrar as correntes da dor, lembremos Jesus:
“ Perdoar setenta vezes sete vezes.”
“Pai, perdoa-os, pois não sabem o que fazem.”
“Ficarão aqui até que paguem o último centavo de nossas dívidas.”

Ou seja, AMAR.