sábado, 9 de maio de 2015

Samaritano




Autor Thiago Trindade


Certo dia, um homem sem rosto, sem nome, sem sabermos se era pobre ou rico, judeu ou gentio,saiu de Jerusalém para Jericó. O tal homem acabou assaltado e, por alguma razão, foi gravemente ferido. Não sabemos se o viajante tentou reagir, ou se ele reconheceu alguns dos assaltantes.

Deixado para morrer, o viajante sem nome ficou estirado ao chão poeirento do canto mais pobre do Império Romano.

Veio então um sacerdote, um membro da elite judaica, um pilar da sociedade, pois cabia a essa classe de cidadãos a guarda das tradições, da religiosidade. Para o povo, os sacerdotes eram os representantes de Deus! E o tal nobre passou pelo homem ferido e seguiu seu caminho.

Mais tarde, um levita chegou pela estrada. Os levitas também tinham sua vida em volta do templo. Os levitas eram os auxiliares dos sacerdotes, servindo como guardas, padeiros, pintores, cuidadores dos animais, etc. Esses cidadãos tinham o mesmo compromisso que os sacerdotes em zelar pela manutenção das tradições, e dentro dessa premissa, estava a religião. E o levita passou pelo homem ferido e continuou seu caminho.

Depois, veio um homem. Não se sabe se veio de Jericó ou Jerusalém. Ele apenas surgiu. Mas sabe-se que veio da Samaria, uma região mal vista pelos hebreus desde a morte do Rei Salomão. Inclusive, os povos da Judéia, Peréia e Galiléia, afirmavam que os samaritanos não eram parentes, alegando que esse povo deturpara as tradições em algum momento da história local. Esse homem discriminado, sem rosto, sem condição social definida, viu o viajante caído e foi até ele. O homem caído foi resgatado por outro, marginalizado por muitos.

O samaritano limpou as feridas com óleo e vinho, que aliás eram os medicamentos antissepticos usados à época, e um bem muito valioso para os oprimidos pelos romanos. Corajosamente, o filho de Samaria levou o desconhecido a uma estalagem e pagou para que cuidassem do homem que jamais vira em sua vida.

Que lição poderosa essa!

Essa lição, ou parábola, está no livro de Lucas (10: 25 até 37). Jesus proferiu essa parábola a um doutor da lei, que indagou ao Nazareno como ele deveria proceder para alcançar a vida eterna, ou seja, o Reino de Deus.

Mas será que esta parábola se adéqua ainda aos dias de hoje?

Que papel desempenhamos? O sacerdote? O levita? O samaritano, talvez? Ou a do estropiado?

Bem, conhecemos a Lei do Amor, que nos manda amar a Deus, amar o próximo. Sabemos que o perdão é a chave para a evolução, pois perdoar é o mais gesto de amor. Os sacerdotes eram os responsáveis por zelar pelos Ensinamentos de Deus. Nós somos como os sacerdotes. E fazemos como os sacerdotes da parábola quando nos levamos pelo rancor, inveja, ciúme, vingança, deixando ao relento algum irmão tão ou mais carente do que nós.

Temos um templo externo para manter, como os levitas. O maior templo é o lar e o segundo é a Casa Religiosa. O lar, santuário doméstico, muitas vezes é conspurcado pela intolerância e tirania, enquanto ao templo religioso é espaço para frieza, soberba e discriminação contra aqueles que pensam diferente do outro. E abandonamos à própria sorte nossos familiares, nossa grande obrigação, e aos confrades jogados à triste cisão.

Podemos também agir como o samaritano. Ajudar o caído com ações e palavras. Podemos limpar as chagas abertas com o óleo da misericórdia e lavar as feridas com o vinho do amor fraternal. Discretamente podemos acalentar um espírito em sofrimento.

Mas e quanto ao estropiado? Esquecemos dele? Somos, certamente, estropiados morais. Somos tomados por viciações variadas, tais como o rancor, a inveja, o ciúme e por aí vai. E ficamos estirados ao chão poeirento e duro da existência que impomos a nós mesmos, se recusando a levantar em nosso benefício.

Somos, em verdade, esses quatro personagens da parábola dita por Jesus. Temos que vencer o sacerdote e o levita em nós. Temos que robustecer o samaritano com a fé e a caridade que irão nos impulsionar para o Alto. Temos que nos reconhecer estropiados morais para aceitar, de fato o tratamento ofertado por algum samaritano que o Caminho trouxe até nós. Desta forma, alternamos o samaritano e o estropiado e assim iremos fortalecer o primeiro e curar o segundo, até que por fim, repitamos, com pureza e verdade, a fala de Paulo de Tarso: “travei o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé” (II Timóteo) que faz alusão direta em vencer as próprias viciações, se aproximando, ainda que um pouquinho, da angelitude.

Os Samaritanos (com “S” maiúsculo mesmo) estão por aí, nas ruas frias, nos hospitais, nas favelas. Não escolhem lugares luminosos, sob muitos olhares e não negociam suas ações. Tanto encarnados quanto desencarnados, tais servidores do Cristo, tal como o homem sem rosto da parábola, são discretos e longe da perfeição. São pessoas comuns que, no esforço de vencerem suas más tendências, criam condições de melhoria material e moral de terceiros que muitas vezes não conhecem. Tais Samaritanos, o verdadeiros, não esperam agradecimentos e quase sempre são incompreendidos por aqueles que o cercam. Mas seus tímidos sorrisos de esperança brotam quando um olhar de gratidão pelo amparo é dirigido a eles.

Que nós estudemos mais a parábola do Samaritano, e mais, que possamos seguir seu exemplo, lembrando sempre que o maior Samaritano de todos é Jesus de Nazaré

Vídeo - Eurípedes Barsanulfo, Médium e Educador



Vale muito à pena conhecer um pouco da biografia de um dos mais dedicados Médiuns Brasileiros, que ainda hoje, na Espiritualidade, Serve amorosamente aos aflitos, em nome do Cristo.






terça-feira, 28 de abril de 2015

Solidão



Autor Thiago D. Trindade



É muito comum ouvirmos pessoas, de estilos de vida diferentes, que se sentem sós. Ouvimos o lamento, que, aliás, costuma ser proferido por nós mesmos de que ninguém nos ama, ninguém nos quer, ninguém nos chama de meu amor...

Claro que a pessoa, supostamente solitária, não considera que seu confidente está ali a lhe fazer companhia.

Mas o que será solidão? Entendemos realmente esse conceito? Somos solitários?

Nós, seres humanos, somos criaturas gregárias por natureza, como muitos outros filhos de Deus. Não é somente para a reprodução que buscamos a companhia de nosso semelhante. Juntos prosperamos ao longo das Eras do Tempo e, como sociedade, chegamos onde estamos.

Em termos espirituais, o grupo nos impele, por meio de desafios morais, a progressão na direção do Criador.

Ocorre, porém, nos últimos anos, uma deturpação do conceito de sociedade, que afeta diretamente quem somos. Uma sentença que iremos destrinchar melhor no próximo parágrafo.

Em nossa comunidade planetária de bilhões de humanos encarnados, cada vez mais as pessoas se sentem sem ninguém, mesmo convivendo diariamente com pessoas a esbarrar-lhes, disputando um metro cúbico de ar.

Como pode isso?

Como, numa multidão a seguir numa mesma direção, um indivíduo não poder precisar como é a pessoa que está ao seu lado?

Esse tipo de coisa acontece numa intensidade cada vez maior. As pessoas estão, nesse mundo de maravilhas tecnológicas e permissividade geral (que chamam de “modernidade”), se distanciando uma das outras e, pior, de si mesmo. Dessa forma tornam-se incapazes de perceber quem está ao lado.

Em prol do chamado comodismo deixamos de nos incomodar com a penúria de nosso vizinho, e nos entregamos às desventuras das telenovelas, que tratam de famílias desajustadas e amorais, criando uma expectativa de sucesso para elas. Comerciais de televisão que nos estimulam os sentidos para atos menos dignos e, ante nossas impossibilidades físicas, mentais e monetárias, sentimo-nos mal ante aquele que possui as efêmeras e falsas virtudes. Eis as razões da solidão.

A inveja, ganância, luxúria e outros sentimentos menos dignos criam o vazio que definimos por solidão, que nos cega, ensurdece e nos livra de todas as sensações exceto a dor da alma.

Solitários são perdedores irremediáveis, alguém tolamente poderia concluir.

Não!

Solitários estão em recuperação como nós, os “gregários”.

Cabe ao solitário, acima de tudo, aprender a se amar. A deixar de ser egoísta! Isso mesmo: egoísta. Egoísta por privar o mundo de sua participação na Grande Obra. O solitário, ele acredita, está à margem da sociedade, mas na verdade está no meio dela. Uma vez que o solitário se reconheça em recuperação e ciente da besteira de privar o planeta de sua participação tem a obrigação de doar-se.

Como doar-se: contemplar a Natureza, sabendo agradecer a Deus pela oportunidade de desfrutá-la; sorrir mais para si e para o próximo; cumprimentar (aliás, um fantástico remédio para distribuir a santa Empatia) aquelas pessoas com quem cruza nas ruas; procurar contribuir para as melhorias na sua vizinhança; orar por aqueles que estejam atravessando por dificuldades (lembrando a nobre máxima de Francisco de Assis: “é dando que se recebe”); é esperar pelo silêncio quando se estende a mão fraterna; não estimular o degredo dos sentidos; absorver o máximo possível de tudo que é edificante para o espírito; entender que a Caridade é uma nobre forma de Amor que ainda não é devidamente compreendida, mas que deve ser praticada ao máximo, sobretudo o Perdão.

A pessoa que se diz solitária precisa entender que acima de tudo há Deus, que a ninguém desampara. Sem falar nos Amigos Espirituais sempre dispostos a nos ajudar. Infelizmente nós, muitas vezes, optamos por não aceitar o auxílio e nos aproximamos do precipício.

Isso tudo nos leva a certeza absoluta de que nós não somos solitários, mas nos colocamos como solitários e que essa aflição pode ser solucionada de acordo com nossa própria vontade: lembremos Marcos (6:45) que diz que os pescadores remavam contra o vento a fim de se aproximarem de Jesus, que orava no monte do outro lado do grande Lago. Grande era o esforço desses homens, pois os ventos eram fortes. Jesus, vendo o esforço dos discípulos, caminhou sobre o Mar da Galiléia e foi ter com eles. Os pescadores, conheciam a incalculável bondade do Mestre podiam ter ficado onde estavam, aguardado-O.

Mas não!

Fizeram a parte deles. Façamos como os pescadores, façamos a nossa parte que Jesus e seus Auxiliares farão a deles.






sexta-feira, 24 de abril de 2015

Uma Heroína chama Irena Sendler

Crédito integral do texto: http://www.forumavarzim.org.pt/conteudo/%C2%ABholocausto%C2%BB-irena-sendler

“ NAO SE PLANTAM SEMENTES de COMIDA.
PLANTAM-SE SEMENTES de BONDADE.
TRATEM de FAZER UM CIRCULO de BONDADE,
ESTE O RODEARÁ e FARÁ CRESCER MAIS e MAIS. ”
Irena Sendler
O pai, um médico que faleceu de tifo quando ela ainda era pequena, fez-lhe memorizar o seguinte: “AJUDE SEMPRE A QUEM SE ESTIVER A AFOGAR, SEM LEVAR em CONTA a SUA RELIGIAO ou NACIONALIDADE. AJUDAR CADA DIA ALGUEM, TEM de SER UMA NECESSIDADE QUE SAIA do CORACAO.”
Morreu Irena Sendler, a polaca que salvou 2.500 crianças judias
VARSÓVIA – 13 Maio 2008 — Uma das grandes heroínas polacas da Segunda Guerra Mundial, Irena Sendler, que salvou 2.500 crianças judias do gueto de Varsóvia, morreu aos 98 anos.
Heroína desconhecida fora da Polónia e apenas reconhecida no seu país por poucos historiadores, devido ao obscurantismo comunista que havia apagado a sua façanha dos livros de história oficiais, Irena nunca contou a ninguém sobre sua vida durante aqueles anos.Em 1999 a história começou a ser conhecida graças a um grupo de alunos de Kansas, através de um trabalho de conclusão de curso, sobre os Heróis do Holocausto. Na pesquisa encontraram poucas referências sobre IRENA mas com um dado surpreendente: salvou 2.500 vidas.
Como era possível não existir informação sobre uma pessoa assim? Mas a maior surpresa viria depois. Ao procurarem o túmulo de IRENA descobriram que este não existia, porque ela estava viva.
IRENA vivia efectivamente há anos, numa cadeira de rodas, em resultado das lesões produzidas pelas torturas infligidas pela Gestapo. Ela não se considerava uma heroína e jamais reivindicou crédito pelas suas acções: “Poderia ter feito mais”, dizia e completava: “Este lamento acompanhar-me-à até o dia de minha morte!”. Aos 97 anos residia num asilo, em Varsóvia, num quarto cercado de flores e cartões de agradecimento de sobreviventes, e de filhos destes, em sua honra.
O REENCONTRO…
Anos mais tarde, quando a sua história saiu num jornal com sua foto antiga, diversas pessoas entraram em contacto: “Lembro-me de seu rosto...”  “Sou um daqueles meninos, que lhe devo a minha vida, o meu futuro, e gostaria de vê-la!                
Eis a história da sua acção:
Quando a Alemanha invadiu a Polónia em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia, onde cuidava das refeições comunitárias. Desde o Outono de 1940, Irena Sendler assumiu riscos consideráveis para levar alimentos, roupas e remédios aos habitantes do gueto que os ocupantes nazis instalaram num quarteirão da capital. Em 4 km2, colocaram 500.000 pessoas.
Ao assisti-los, no Gueto de Varsóvia Irena, ficou horrorizada pelas condições de vida impostas aos seus moradores. Devido à falta de comida, muitos morreram de fome ou em decorrência de doenças.  Os outros ainda foram mandados para as câmaras de gás do campo de Treblinka.
No fim do Verão de 1942, ELA resolveu unir-se ao movimento de resistência Zegota (Conselho de Ajuda aos Judeus) criado por um grupo de resistência heróica antes de o exército nazi destruir completamente o quarteirão. Como os alemães receavam uma epidemia de tifo aceitavam a ajuda dos polacos para controlar a situação e deixavam-nos tomar conta do local. Irena contactava com as famílias oferecendo ajuda para levar filhos e netos com ela para fora do Gueto de Varsóvia.
Um dos momentos mais dolorosos de sua experiência; era obter a confiança dos pais e convencê-los a entregar-lhe seus filhos. Estes indagavam sempre: “Pode prometer que meu filho viverá?.....  E a única coisa que poderia dar como certa era a de que morreriam se permanecessem ali. O mais duro era o momento da separação.
Começou a tirá-los em ambulâncias como vítimas de tifo, e valia-se de todos os meios e de tudo o que estivesse ao seu alcance para os esconder e tira-los dali: cestas de lixo, sacos de batatas, malas, etc. Nas suas mãos, qualquer coisa se transformava numa via de escape. Conseguiu recrutar pelo menos uma pessoa de cada um dos dez centros do Departamento de Bem-estar Social. Com a ajuda dessas pessoas montou centros de documentação falsa, com assinaturas falsificadas, dando identidades temporárias às crianças judias. IRENE vivia os tempos de guerra pensando nos tempos da paz!
Era incansável. Queria que eles um dia pudessem recuperar os seus nomes verdadeiros, a sua identidade, as suas histórias pessoais e as suas famílias. Foi então que inventou um arquivo onde registava os nomes dos meninos com suas novas identidades. Anotava os dados em pedaços de papel que enterrava, dentro de potes de conserva, debaixo de uma macieira, no jardim do seu vizinho.
Algumas vezes, quando Irena e suas companheiras se dirigiam a estas famílias a fim de as persuadir a lhes entregarem os filhos, era informada que todos haviam já sido levados para os campos de extermínio. Cada vez que isso ocorria, ela lutava com mais força para as salvar. Quando caminhava pelas ruas do gueto, Sendler usava uma braçadeira com a Estrela de David, em solidariedade para com os judeus, e afim de não chamar a atenção.
Um dia os nazis acabaram por descobrir as suas actividades e levaram-na para a prisão. Quebraram-lhe os pés e as pernas, além de inúmeras torturas. Queriam que dissesse quem eram os seus colaboradores e os nomes das crianças que ajudara a salvar. Por não revelar absolutamente nada, em total silêncio, foi sentenciada à morte.
Irena era a única pessoa que sabia os nomes e onde se encontravam as famílias que abrigaram as crianças judias. A caminho de sua execução, o soldado que a levava deixou-a escapar. Embora oficialmente ela constasse nas listas dos executados, ela continuava viva, pois a resistência havia subornado o soldado, salvando a vida de Irena.
Mais tarde, ela mesma desenterraria os vidros com as anotações e tentaria unir os 2 500 meninos que colocara em famílias adoptivas, devolvendo-os às suas verdadeiras famílias. Infelizmente, a maioria tinha perdido seus pais e irmãos.
Saber mais sobre Irena Sendler
Quando tudo parece ruir, é preciso resistir agindo!
FAV - nov. 2013