sábado, 17 de dezembro de 2016

Lázaro


Autor Thiago D. Trindade


O caso de Lázaro é um grande exemplo de que a Fé transforma vidas. E como nós somos parecidos com esse homem, que fora amigo próximo de Jesus.

Na reflexão em tela, baseada nos escritos de João (11: 1-46), vemos as irmãs de Lázaro, Maria e Marta, irem até o Mestre, que pregava longe de Betânia, onde residiam com o irmão. Elas informaram a Jesus que seu amigo estava severamente doente e que desejava vê-lo. O Cristo, no entanto, estava em pregação e curava a muitas pessoas. Ele não podia pôr seu trabalho fraterno de lado, deixando de aplicar o bálsamo que era encarregado de trazer a aqueles sofredores, em prol de seu amigo.

Seria discriminador e egoísta.

Jesus sabia disso e certamente Lázaro e suas irmãs também. Quando pôde, o Grande Médico partiu para a vila de Betânia com os Doze, que temiam pela segurança deles e do Mestre. Tomé, inclusive, chegou a ter certeza de que iriam morrer ali (João, 11:16).

Nos arredores do pobre lugarejo, de onde o grupo havia tido uma passagem turbulenta, Marta informou ao Mestre que o amigo havia morrido e se encontrava sepultado há dias.

Sem titubear, Jesus clamou o auxílio dos amigos e partiu para o sepulcro de Lázaro. A essa altura muitas pessoas, avisadas do regresso do carpinteiro a região, tinham se juntado a Ele para ver qual prodígio se realizaria ali.

Diante da gruta onde o corpo inerte de Lázaro repousava, Jesus solicitou aos acompanhantes que removessem a rocha que selava o local, e, com a voz doce e firme, ao mesmo tempo, o Cristo de Deus chamou pelo amigo Lázaro, que surge diante de todos, enrolado em panos fúnebres.

Lázaro, vem para fora!

Essa passagem atravessou os séculos, imortalizando uma singela fagulha da grandeza de Deus que Jesus dividia com o mundo. Aliás, alguns afirmam duramente que Lázaro estava catatônico, desdobrado em espírito, em coma, epilético, em fim, de alguma fora estava vivo. Particularmente isso não importa, já que vivo ou morto, Lázaro ouviu tão somente o comando do Cristo e não o alarido das pessoas que lotavam o cemitério para ver mais um feito de nosso irmão mais velho.

A simbologia dessa passagem é muito maior do que podemos supor. Que os mortos podem ressuscitar? Esse conceito é muito limitado já que a morte, na verdade, não existe.

Mas o que existe é muito mais sublime e poderoso. Trata-se da transmutação da alma.

Lázaro era amigo do Cristo e certamente simpático à Boa Nova. Mas não a ponto de deixar seus afazeres corriqueiros e seguir Jesus como os outros. Somente após o Gólgota é que o homem de Betânia tomou o cajado e ganhou o mundo.

Lázaro, portanto, não era comprometido com a causa do Cristo. Ele era apenas envolvido com a Causa do Cristo.

Envolvimento é superficial.
Comprometimento é visceral, profundo.

Imaginemos Lázaro deitado sobre a pedra fria, enfaixado e silencioso, imerso em escuridão e bloqueado por uma pesada rocha. Do lado de fora, luz e vida.

A escuridão é a que trazemos dentro de nós.
As faixas são nossas limitações autoimpostas.
A rocha é a ignorância.

Jesus, certamente, poderia ter removido a grande pedra sozinho, levitando-a, explodindo-a, fazendo aquela substancia mineral simplesmente desaparecer. O Mestre poderia ter feito qualquer coisa com aquela pedra e seria uma das menores coisas que Ele teria feito em sua trajetória de trabalho anunciando a Boa Nova.

Mas o Divino Amigo preferiu incentivar os que lá estavam ao trabalho de resgate. Um trabalho em grupo. Como Jesus é o Sublime Professor, sabia que o trabalho que é movido por equipes serve para fixar o conhecimento, a troca de impressões, além que aproximar corações a um mesmo compasso.

O trabalho em grupo cria comprometimento.

Uma atividade em benefício de outra pessoa que criaria condições propícias para a prova de Lázaro.

Lázaro, vem para fora!

Com as condições criadas – a remoção da pedra – houve o despertamento, a inspiração para aquele que se julgava morto na carne. Agora, naquele momento, cabia a Lázaro sair da sua inércia em seu próprio benefício.

Lázaro levantou e buscou a luz, abandonando a treva.

Mais uma vez, o Sublime Professor, entrou em ação orientando o grupo de alunos que se voluntariaram para o Serviço da Luz.

Notemos que estes não eram os discípulos, pois se assim fosse, teriam sido citados por João, mas eram certamente os amigos de Lázaro que residiam em Betânia e talvez até mesmo alguns dos que haviam tentado apedrejar Jesus em sua última passagem por esta vila (João, 11:8).

Desatai suas faixas e deixa-o ir.

Novamente, Lázaro sentiu a caridade dos homens que o livraram das limitantes faixas, ensinando-o sobre a compaixão.

Lázaro voltou-se para o Mestre. Acima Dele, o sol da Vida.

Lázaro deixou a escuridão e caminhou, ainda que vacilante, para a luz.

Sua recompensa foi a Vida.

Lázaro deixou de ser apenas envolvido em relação à Boa Nova.

Lázaro passou a ser comprometido com a Boa Nova.

Lázaro é a prova da cura física, mental e espiritual.

Cura física: seus males orgânicos.

Cura mental: o entendimento da reforma íntima. O compreender suas limitações e comprometer-se em vencê-las.

Cura espiritual: levar o Bálsamo da Verdade aos demais, dividindo seu coração com o mundo. Foi curando aos outros, que Lázaro curou a si mesmo.

Munido de seu bordão, o amigo de Jesus atravessou os séculos ensinando aos aflitos a abandonar a escuridão e a abraçar a Luz Maior.

Jesus removeu nossa rocha enviando o Consolador Prometido. E enviou emissários para nos ajudar a remover nossas faixas limitantes dos movimentos, nossos Amigos Espirituais.

Docemente, o Mestre nos chama:

Vem para fora!”


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Entendimento

Autor Thiago Dias Trindade


Paulo, o Apóstolo dos Gentios, em sua carta aos Romanos (14:1), afirma:
“Acolhei ao que é débil da fé, não, porém, para discutir opiniões”.

Isso significa que a fé é a vivência dos Ensinamentos de Jesus. Paulo, em sua exortação, vai muito além do conhecimento do que Jesus disse, indo diretamente ao que  o Nazareno fez, que é trabalhar pelo próximo. Afinal, a fé que Jesus nos ensinou é baseada em pureza de sentimento e ação.

Infelizmente, tal passagem não é estudada e praticada como se deveria. O que temos hoje, em várias religiões, são pessoas mais preocupadas em decorar pontuações nos textos do que trabalhar, de fato, para Jesus. Opiniões exaltadas permeiam as rodas de conversas e críticas ácidas são lançadas à esmo.

O tal “débil na fé” deve ser conduzido com carinho, muito carinho, e com doce incentivo que se manifesta através do exemplo, o bom exemplo. Aliás, quem é o débil na fé?

É aquele que vive isolado no mundo, como um asceta?
É aquele que abraça as coisas mundanas e não busca as coisas do Espírito?
É aquele que se esforça em vencer suas más tendências?

Essas três alternativas, e todas as outras que o leitor amigo recordar. Ora, quem aqui é perfeito? Estamos em um mundo de expiações e provas e quem disser que sua fé não é débil, bem, está dando uma demonstração de soberba. Quem tem a fé forte não diz, demonsta com humildade.

Devemos seguir a orientação de Paulo e devemos nos reconhecer débeis na fé, buscando fortalecer-nos através da Reforma Íntima. Estudemos e trabalhemos mais! Devemos aprimorar nossa disciplina através do nosso pensar, sentir e agir.


Esse entendimento é fundamental, se, de fato, queremos ser cristãos.

sábado, 3 de dezembro de 2016

A enxada




Autor Thiago Dias Trindade

Quando estudamos a mensagem do espírito Ferdinando, intitulada “Missão do Homem inteligente na Terra”, no capítulo 7 do Evangelho Segundo o Espiritismo, percebemos que a sábia entidade faz alusão direta a Conhecimento e Responsabilidade.

Conhecimento, entendamos, ser as informações que podem ser bem ou mal utilizados e que Sabedoria não é nada além do bom uso do conhecimento. E usando bem ou mal o conhecimento arcaremos com suas conseqüências. Devemos entender, em verdade, que plantamos e colhemos constantemente neste mundo de provas e expiações.

Seguindo o raciocínio do espírito Ferdinando, na mensagem supracitada, a enxada é o instrumento fundamental para o trabalho do ajudante do jardineiro, que sob a orientação deste último, realiza uma série de tarefas. Tomemos, pois, a enxada por Evangelho, o ajudante somos nós, e o jardineiro, sendo o excelso Mestre Jesus.

O Evangelho, ou Enxada, é o instrumento que nos faz crescer, quando manejado, ou utilizado, com seriedade. Tal instrumento pode ser posto de lado, jogado mesmo, se assim quisermos. E quantas vezes jogamos a enxada para algum canto, permitindo que as ervas daninhas do ego (inveja, ganância, rancor, cobiça, luxúria, etc) cresçam fortes e que acabam por danificar o belo jardim de nossa existência?

O Jardineiro, Jesus, mais comumente chamado de Carpinteiro, que conhece cada um de nós, se encarrega de pegar a enxada caída ao largo de nosso caminho e a põe ao alcance de nossa mão e sussurra, confiante, em nossos ouvidos espirituais: “Perdoe!, Ame!, Trabalhe a si mesmo para crescer!”

Usar a enxada do Evangelho em benefíficio próprio é um trabalho duro e de muita responsabilidade. Cria músculos morais. A pele espiritual fica engrossada pela perseverança em atravessar e vencer as intempéries evolutivas que impomos a nós mesmos. O suor que vertemos é pura fé, a certeza da vitória.

Mas é claro que nos cansamos! No entanto, ao invés de jogarmos a enxada ao chão, podemos nos apoiar nela e respirar. Podemos nos apoiar no Evangelho do Cristo e respirar o méximo possível o perfume da resignação e então voltar a “carpir” novamente o solo existencial que possuímos.

Trabalhando firme, um dia, chegaremos a Jardineiro, conforme Jesus assegura, e iremos a ajudar os outros aspirantes a se tornarem protetores da obra Divina de Deus.